Uma questão de identidade!

Organiza Bonita!!
16/05/2016
Andreza Boal
A marca
04/07/2016

Pedaços do Passado 

“Não importa se são emendados, bordados ou aplicados, Quilts refletem o espírito empreendedor das mulheres. Com sua profusão de cores, tecidos e detalhes nos bordados, quitls podem ser lidos como um texto de jornal.”

Susan Jenkins – The American Quilt Story , 1995

Oi bonita!

 Vamos combinar que ninguém nasce sabendo, neam?

E tem um montão de bonitas que estão começando a brincar de quiltar e não tem uma ideia bem clara sobre o que é um Quilt a mão, um Quilt a máquina ou um Quilt Artístico!

Portanto… não custa nada a gente voltar no tempo e falar um pouquinho sobre este assunto certo?

Sei que regras são chatinhas, mas são extremamente importantes!!

Quilt conforme as normas da ABPQ 

Quilt é um trabalho têxtil com função utilitária ou decorativa, composto por três camadas, unidas por um Quiltado.

Quiltado é a costura feita a mão ou a máquina que une as três camadas de um Quilt.

 Uma peça de Quilt pode ter ou não um  tampo de Patchwork.

Para saber…

Quiltado é a costura, pesponto ou ponto!

Quiltar é o ato!

Quilt é a peça!

Quilteiro faz o Quilt!

O produto do Quiltado é o Quilt!

Agora sim, sabemos o que é um Quilt, certo?

Vamos as possibilidades…

A mão ou a máquina?

Com técnica ou sem técnica?

Para começar, o mais antigo e elegante, “Quiltado a mão”!!

{Nem te conto que é o meu preferido!!}

 

Andreza Boal Curso Kumie Gramado/2010

Andreza Boal
Curso Kumie Gramado/2010

 

“Tão rica, tão nobre, tão antiga!!

Tradição, movimento e regularidade.

Eu prefiro a mão, mas não abro mão da máquina.

Porque?

Ahhh…

Eu amooo costurar a mão, mas trabalhar num quiltado a máquina, além de ter seu charme é libertador!

Hora do café!!

Quiltado a mão, com xícara Márcia Baraldi e Bracelete Quilting

Quiltar a mão é pespontar.

E o que importa, ao contrário do que muitas pensam, não é o tamanho do ponto, e sim a sua regularidade!

Não vale deixar nós aparentes, nem repuxar demais o ponto!

Quiltar a mão é leve, suave, coeso, tranquilo e lindoooo!!

Visão muito romântica?

Bom pode ser… 

Sou assim mesmo! E você?

🙂

Já o Quiltado à máquina é uma versão mega moderna e com certeza, muito elegante!

Hoje podemos fazer quase tudo em termos de quiltados!! 

Eu já fiz alguns cursos de Quilt a máquina, mas também confesso que gosto mesmo é de “inventar moda” e ultimamente tenho brincado de desconstruir toda a técnica que aprendi.

Coisas de quem ama experimentar, mas se você esta começando, e quer uma direção…

Aprende primeiro a técnica, para depois experimentar as possibilidades! 

Se sonha em um dia mandar seus trabalhos para um concurso, é importante ter a técnica como prioridade e não esquecer de dar uma boa lida nos regulamentos oficiais de cada Festival.

Infelizmente ainda não temos uma padronização destes regulamentos.

Márcia Baraldi, Théo Schaffer, Silvana Viturino, Rosangela Paranhos, Eva Mistura e Vanessa Lott, são apenas alguns nomes fortes do quilt a máquina hoje no Brasil.

E a comunidade só cresce e evolui, com muita gente nova e talentosa aparecendo no pedaço.

Anel Fita Métrica

Literatura Brasileira sobre Quilting – Márcia Baraldi

Quiltados a máquina requerem muito treino!

Ouso dizer que só o treino diário leva a perfeição.

Portanto persistência, bonita, persistência!

15 minutinhos por dia basta para você conseguir manter a tensão!

Da máquina, do pedal e sua!!

Sério!!

Eu acho super #Tenso!!

Uma ótima dica para quem esta começando é escrever muitos e’s minúsculos de cabeça pra cima e pra baixo. Também é super importante treinar o desenho num papel antes de sentar na máquina. Assim o cérebro vai se acostumando com o movimento.

Brinque um pouco no papel antes de sentar na máquina, vale escrever L’s, fazer curvas, desenhos e até arriscar escrever seu nome, o importante é explorar as possibilidades e assistir a muitos vídeos, eles sempre tem uma dica ou outra que você não sabia!! 

Hoje temos milhares de videos ensinando a técnica. Super indico os cursos da comunidade Craftsy para quem já tem alguma experiencia, e o eduk para quem esta começando. Espia lá. Você pode se surpreender com a quantidade de possibilidades que há por ai.

Ahhh!!

Mas se tiver a possibilidade de fazer um curso presencial, eu recomendo duas metodologias de ensino hoje no Brasil, Márcia Baraldi e Silvana Vituriano Celistre.

E para o Quilt livre (aquele que muitas chamam de caminho sem fim) é preciso lembrar que as voltas não podem se cruzar.

Ainda sobre o Quilt livre sugiro começar pelo centro e ir de quadrante em quadrante, até se encontrar novamente no ponto inicial.

Para fazer um quiltado a máquina é preciso também mudar o pé dela.

Isso é importante!!!!

Algumas dicas que podem te ajudar!

  • Se for usar manta com resina, a mesma deve ficar sempre para cima, no tampo do trabalho.
  • Para Quiltados de utilitários ou para concursos, evitar o uso de linha de poliéster, nestes casos o ideal é usar uma linha de algodão, assim tem-se a certeza de não estragar a tensão da máquina e de um trabalho uniforme.
  •  Se o ponto estiver “pulando” troque a agulha da máquina, pode ser que o problema esteja aí.
  •  Testar o tensor da sua máquina até encontrar o ponto ideal.
  •  O ponto tem que estar no zero (0).
  • Cuidar no início do trabalho, girar pra frente e puxar a linha de baixo. Sempre pra frente no início e no fim.
  •  Manter a agulha baixa e nunca interromper o trabalho, se cansar, num quilt muito extenso, deixe a agulha baixa e continue no dia seguinte.
  •  O apoio deve ser sempre na ponta dos dedos, controle suas mãos.
  • A melhor forma de entender como funciona o quilt livre é imaginar que você tem uma folha de papel sobre a mesa e um lápis é mantido por um gancho com a ponta encostada no papel. Você desenha formas movendo o papel sob o lápis, e nunca ao contrário.
  •  O quilt livre é sempre iniciado pelo meio e acaba no mesmo ponto. Para isso treine num papel dividido em 4 partes. Comece em baixo a partir do meio e preencha todo o quadrante, depois passe para o quadrante de cima, e depois passe para o outro lado seguindo ate embaixo sem cruzar as linhas e acabando no mesmo ponto central que você começou!
  • Não risque. Isso é importante para fazer o quilt livre. Se o seu tecido estiver marcado, você pode acabar cometendo erros. Assim que você costurar para fora de uma das linhas do risco, seu cérebro vai gritar “ops” e automaticamente você dará uma guinada de volta. É provável que o seu “erro” nunca seja percebido no trabalho final, mas a “guinada” com certeza vai ser notada a 10 passos de distância!
  •  A parte mais importante do quilt livre é a tensão – e não apenas da máquina.

Se vc estiver tensa e nervosa nada vai dar certo!!!

  • Divirta-se sempre!!!

Tudo isso é técnica, bonita!

Mas além da técnica, sempre há as expressões artísticas.

E nestas expressões tudo é possível!!

Através do ato embelezar um tampo, podemos brincar com as linhas, desenhos, bordados e costuras.

Experimentos têxteis que te dão uma liberdade sem igual.

De Pendurar Desejos

De Pendurar Desejos
Quiltado a mão e a máquina por Andreza Boal
Arte Têxtil

Quase como um sair fora da caixinha estas expressões ganham cada dia mais espaço nas exposições e nos nossos corações.

Como numa tela, hoje já percebemos as assinaturas.

A arte têxtil ou quilt Arte, nos permite viajar pelas esculturas, conceitos e formas, aqui não há porque se preocupar com as regras, você as cria e conduz da maneira que sua imaginação permitir.

Apenas arte e sensibilidade, brincando de poesia com as linhas e os tecidos.

Por tudo isso, seja no quiltado a mão, a máquina ou no artístico, cada um tem sua identidade, sua escola ou assinatura. Como nas escolas de pinturas, o quilt é muito mais do que uma costura que une 3 camadas, é identidade, é arte e é uma grande aventura!

Navegue por ele, sinta as costuras e descubra a sua assinatura.

{Costure-se}

Bjobjo 

Andreza Boal

A-ya

“A-YA” … Eles criaram uma virgem. As Ghiguas mais hábeis no trabalho com o barro fizeram o corpo de uma virgem e pintaram seu rosto com uma beleza incomparável. As melhores tecelãs entre as Ghiguas de todas as tribos teceram longos e negros cabelos para ela, com madeixas caindo em ondas ao redor da cintura esguia. As melhores costureiras dentre as Ghiguas lhes fizeram um vestido branco como a lua cheia, e todas as mulheres o decoraram com conchas, contas e plumas. As Ghiguas de pés mais ligeiros passaram as mãos nas pernas dela e a dotaram de enorme velocidade. E as Ghiguas conhecidas por serem as mais encantadoras cantoras de todas as tribos sussurraram palavras doces e suaves para ela do modo mais agradável que se pode imaginar. Todas as Ghiguas cortaram a palma da mão e usaram seu próprio sangue para pintar no corpo dela símbolos de poder representando os Sete Sagrados: norte, sul, leste, oeste, acima, abaixo e espírito. Então se deram as mãos ao redor da linda imagem de barro e, usando seu poder combinado, sopraram vida dentro dela… House Of Night – Indomada – Pg 233 A-ya é uma virgem de barro criada pelas mãos de sábias para seduzir e aprisionar Kalona em baixo da terra; um anjo de asas negras que caiu do céu e violava suas mulheres. Seu significado na nossa língua é o pronome “EU”. Ao interpretar essa lenda fictícia de House Of Night e relacionar a sua origem Cherokee, direcionei minhas pesquisas e inspirações ao “Quinto Elemento” deste mundo. Criando asas que contêm toda a essência do meu próprio “eu”, com muitas pontas, laços e nós. Colada e remendada, costurada e enfeitada, a base desta obra é feita de um patchwork de retalhos de roupas e acessórios antigos que de alguma forma “incorporaram” a A-ya da minha imaginação. Nesta base ainda foram aplicados diversos tipos de acabamentos e aviamentos diferenciados. As escamas de cetim foram cortadas, queimadas e costuradas manualmente e alguns dos acabamentos foram finalizados com cola. O crochê aplicado sobre parte do topo era parte de um xale antigo adquirido há mais de 20 anos, portanto de autoria desconhecida. Cordões, fitas, franjas, angelinas, retalhos, pérolas, penas e peças de metal foram incorporados a fim de enriquecer a obra conferindo texturas, memórias e movimento à peça. Para o forro um quiltado, com linha invisível de poliéster num veludo felpudo com uma camada de manta de algodão. Topo e forro foram trabalhados separadamente e unidos com cola e costuras. Projeto e execução: Andreza Brum Boal 1 m X 86 cm Dezembro /2014 Exposição o Tempo e o Quinto Elemento, curadoria Cíça Mora.

 

 

Andreza Boal
Andreza Boal
Idealizadora da primeira grife focada em moda para costureiras e autora do blog tecendo sonhos a designer de moda e arte-educadora Andreza Boal, tem trabalhos e textos publicados em revistas do segmento têxtil e há 16 anos busca através das cores, desenhos, linhas, agulhas, tecidos, palavras e texturas, expressar e aprimorar sua criatividade.

2 Comentários

  1. Solange Ribeiro disse:

    Lindo texto. Claro, informativo e delicioso de ler. Um presente para um início de domingo. Obrigada.

    • Andreza Boal disse:

      Obrigado pelo carinho Solange! Fico muito feliz que tenhas gostado do texto, e que ele tenha de alguma forma tenha te tocado. É um prazer te-la por aqui!! Volte sempre!! Bjobjo

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